Ibovespa dispara e dólar cai após 1º turno
06 de outubro de 2026 • Publicado por Vinicius Caamano
O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte alta ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte valorização do Ibovespa e uma queda expressiva do dólar.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A diferença de 1,87 ponto percentual mudou rapidamente as expectativas de investidores para o segundo turno.
Ibovespa supera 200 mil pontos
O principal índice da Bolsa brasileira teve uma das maiores altas de sua história após a divulgação do resultado eleitoral.
O Ibovespa encerrou o pregão de segunda-feira, 5 de outubro, aos 207.190 pontos, com alta próxima de 8%. Durante o dia, o índice chegou a 209.605 pontos, renovando sua máxima histórica.
A reação foi impulsionada principalmente pela percepção dos investidores de que uma eventual mudança de governo poderia representar uma alteração na condução da política econômica brasileira.
Por que o mercado reagiu tão bem à vantagem de Flávio?
A principal explicação está nas expectativas relacionadas às contas públicas.
Investidores passaram a considerar que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia adotar medidas de contenção de gastos e buscar um ajuste fiscal mais forte. A campanha do candidato afirma que pretende reduzir despesas públicas, embora os detalhes e a viabilidade dessas medidas ainda dependam de propostas concretas e de aprovação do Congresso.
Essa perspectiva também influencia as expectativas para a inflação e os juros. Um cenário fiscal considerado mais favorável pode reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores e abrir espaço para uma trajetória de juros mais baixa no futuro.
Dólar cai e volta para perto de R$ 5
O dólar também teve forte reação após o primeiro turno.
A moeda norte-americana encerrou o pregão cotada a aproximadamente R$ 5,00, com queda superior a 4%. Durante a sessão, chegou a ser negociada abaixo desse nível.
A queda do dólar está relacionada à redução do prêmio de risco percebido pelos investidores e ao aumento da procura por ativos brasileiros.
Mercado ainda acompanha o segundo turno
Apesar da forte reação, o movimento não significa que o mercado considere a eleição definida.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e novas pesquisas, debates, alianças políticas e propostas econômicas podem alterar novamente as expectativas dos investidores.
A própria intensidade da valorização também exige cautela. Uma parte importante da alta da Bolsa e da queda do dólar representa uma mudança nas expectativas sobre o futuro, e não uma transformação imediata nos fundamentos da economia brasileira.
O que pode acontecer com a Bolsa e o dólar?
Caso Flávio amplie sua vantagem nas próximas semanas, o mercado pode continuar antecipando uma possível mudança na política econômica, favorecendo ações brasileiras, o real e os juros futuros.
Por outro lado, uma recuperação de Lula nas pesquisas pode provocar uma reversão parcial do movimento recente, especialmente depois da forte valorização registrada após o primeiro turno.
Por isso, investidores devem acompanhar não apenas as pesquisas eleitorais, mas também as propostas econômicas dos candidatos, a composição do Congresso e a capacidade de implementação das medidas prometidas.
A reação do mercado após o primeiro turno mostra como as expectativas eleitorais podem influenciar rapidamente os preços dos ativos brasileiros. O desempenho do Ibovespa e do dólar nas próximas semanas dependerá, em grande parte, de como essas expectativas evoluirão até a votação do segundo turno.
Vinicius Caamano
Vinicius Caamano é publisher e especialista em marketing digital, com foco em SEO, produção de conteúdo e crescimento de portais de notícias e projetos digitais.